Reação do Governo Português suspensão da RTP, RDP e Lusa na Guiné-Bissau é "atentado à liberdade de imprensa"
Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura portugueses
afirmam que "ameaça" do Governo guineense é "inaceitável". Embaixador da
Guiné-Bissau já foi chamado para “para lhe ser transmitida a gravidade
do ocorrido”.
O Governo português classifica a intenção do executivo guineense de
suspender as actividades da RTP, RDP e Agência Lusa na Guiné-Bissau como
“inaceitável” e diz que se trata de “um atentado à liberdade de
expressão e à liberdade de imprensa”.
Em
conferência de imprensa, o ministro guineense, Vítor Pereira, informou
que a partir da meia-noite de hoje em Bissau (1h em Lisboa) ficam
suspensas todas as actividades naquele país dos três órgãos portugueses
até que o Governo de Lisboa abra negociações para a assinatura de um
novo acordo.
Em comunicado conjunto, os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da
Cultura lamentam "profundamente a ameaça" do Governo guineense,
afirmando que “este tipo de ultimatos é inaceitável, especialmente
quando se trata de dois países ligados por laços tão estreitos, como
Portugal e a Guiné-Bissau”. “Em momento algum Portugal se recusou a
analisar os méritos de qualquer proposta de instrumento bilateral com as
autoridades guineenses”, lê-se ainda na nota escrita.
O Governo português contesta ainda os argumentos apresentados pela
Guiné-Bissau: “Apesar de poderem ser denunciados por qualquer das partes
a qualquer momento, dentro das regras e nos prazos expressamente
consagrados, nenhum dos dois instrumentos prevê um prazo para cessação
de efeitos. Assim, não só não se aplica a alegada caducidade, como
também não foi até à data recebida qualquer notificação por parte da
República da Guiné-Bissau denunciando especificamente qualquer dos
acordos”.
E dá como exemplo a relação entre o Governo e os órgãos
de comunicação social em causa em Portugal: “O Governo português não
exerce qualquer tipo de controlo editorial sobre a RTP, a RDP e a
Agência Lusa, as quais actuam com a mesma independência,imparcialidade e
profissionalismo em Bissau com que actuam em todos os países onde estão
presentes”.
O Governo português informa ainda que o embaixador guineense já foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros “para lhe ser transmitida a gravidade do ocorrido”.

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